02/05/2017

Resenha | Deuses Americanos

Deuses Americanos
  • Autor: Neil Gaiman
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 576
Deuses americanos é, acima de tudo, um livro estranho. E foi essa estranheza que tornou o romance de Neil Gaiman, publicado pela primeira vez em 2001, um clássico imediato. Nesta nova edição, preferida do autor, o leitor encontrará capítulos revistos e ampliados, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução. A saga de Deuses americanos é contada ao longo da jornada de Shadow Moon, um ex-presidiário de trinta e poucos anos que acabou de ser libertado e cujo único objetivo é voltar para casa e para a esposa, Laura. Os planos de Shadow se transformam em poeira quando ele descobre que Laura morreu em um acidente de carro. Sem lar, sem emprego e sem rumo, ele conhece Wednesday, um homem de olhar enigmático que está sempre com um sorriso no rosto, embora pareça nunca achar graça de nada. Depois de apostas, brigas e um pouco de hidromel, Shadow aceita trabalhar para Wednesday e embarca em uma viagem tumultuada e reveladora por cidades inusitadas dos Estados Unidos, um país tão estranho para Shadow quanto para Gaiman. É nesses encontros e desencontros que o protagonista se depara com os deuses — os antigos (que chegaram ao Novo Mundo junto dos imigrantes) e os modernos (o dinheiro, a televisão, a tecnologia, as drogas) —, que estão se preparando para uma guerra que ninguém viu, mas que já começou. O motivo? O poder de não ser esquecido. O que Gaiman constrói em Deuses americanos é um amálgama de múltiplas referências, uma mistura de road trip, fantasia e mistério — um exemplo máximo da versatilidade e da prosa lúdica e ao mesmo tempo cortante de Neil Gaiman, que, ao falar sobre deuses, fala sobre todos nós.

Resenha feita pela colaboradora Gabriela Erler

Oi gente, tudo bem? A resenha de hoje é muito especial para mim, pois é de um autor que eu prestigio bastante (até demais). Deuses Americanos é uma das obras mais aclamadas do autor, e garanto que faz jus toda a sua fama.


O livro nos trás como protagonista o Shadow, um cara que está prestes a sair da prisão e quem tem um plano formado do que vai fazer assim que tiver a sua liberdade. Mas infelizmente, planos são algo inconstantes, e os de Shadow mudam de maneira drástica. Quando enfim tem a sua liberdade, ela não é bem como ele imaginou que seria, e após uma quantidade de eventos ruins, ele conhece o sr. Wednesday, que lhe oferece um emprego. Sem expectativas para seu futuro, ele aceita trabalhar para esse velho misterioso de que pouco sabe, achando que será um típico guarda costas. Os dois caem na estrada, partindo para vários lugares dos Estados Unidos, cometendo pequenos delitos e conhecendo pessoas estranhas e singulares. Shadow não entende muito bem o seu novo chefe, a única coisa que percebe é que uma tempestade está chegando. O que ele não imagina é que essa tempestade é bem diferente e que vai mudar a sua vida drasticamente.

"Acredite - disse a voz trepidante. - Para sobreviver, você precisa acreditar." (p. 31)

Em paralelo com a jornada de Shadow e Wednesday, nós vamos conhecendo histórias de pessoas que migraram para os Estados Unidos a séculos atrás. Pessoas do mundo inteiro chegando nessa terra estranha, trazendo consigo suas crenças e fé. A partir disso deuses dos mais variados lugares começam a migrar para os Estados Unidos, que com o passar do tempo acabam perdendo a sua força, pois as pessoas deixam de acreditar que eles estão tão longe de casa. Sem a crença dos mortais, os deuses perdem a força, vivendo de migalhas, em uma país que não conhecem, lutando pela sobrevivência. 

É nesse plano de fundo que nossa história se desenrola. A tempestade que Shadow tanto ouve é uma batalha enorme entre os deuses antigos e os novos que surgiram com o avanço da tecnologia. Deuses tentando retomar o seu lugar no mundo, deixando o esquecimento de lado. 

"Deuses morrem. E, quando morrem para sempre, não há luto nem memória. É mais difícil matar uma ideia do que uma pessoa, mas, no fim das contas, ideias também podem morrer." (p. 71) 

Eu não tenho palavras para descrever o quanto eu amo essa história. Foi uma releitura para lá de prazerosa, nessa edição especial, que contém 12 mil palavras do que a edição anterior, fazendo com que eu tenha um carinho ainda maior pela história e o autor.

Shadow é um personagem que você se apega e não quer deixar de acompanhar. Apesar de ser grandalhão com cara de mal, ele é uma boa pessoa que carrega algumas dores antigas e recentes. O que mais impressiona é a forma humana em que ele e outros personagens foram construídos. Suas falhas e defeitos são bem destacados no decorrer da história, fazendo com que tenhamos uma empatia maior com eles (até com os "vilões).

Para quem curte mitologia, em especial a nórdica, essa história é um prato cheio. Conhecemos deuses de culturas completamente diferentes, alguns mais conhecidos por nós e outros que nunca ouvi falar, mostrando o quanto que o autor se empenhou em pesquisar e ambientar essa cultura na era da informação. Falando nisso, a crítica presente no livro sobre a importância que damos a tecnologia e como a cultuamos é muito bacana e te faz refletir bastante.

Deuses Americanos é uma história bem amarrada e que vai conquistar muitos leitores, mas eu não recomendo para qualquer um. Apesar de ter essa tempestade chegando, o livro tem pouquíssimas cenas de ação, o que pode cansar algumas pessoas. Eu, que conheço os livros do autor a bastante tempo, lembro que na primeira vez que li esse livro (a uns 4 anos atrás), senti que a leitura estava lenta demais. Para quem já leu outras obras do autor, vai perceber que essa é uma característica de escrita e não vai sentir tanto essa "lentidão".

No dia 30 de abril, estará estreando a serie de TV do livro e estou muito empolgada para acompanhá-la. A partir do dia 1º de maio, já dá para acompanhar pelo serviço de stream da amazon, então se você não tem o livro ou não está afim de lê-lo, conheça a história pela série. Tenho certeza de que não vão se arrepender.

Gabriela, ou simplesmente Gabis. Germiniana, 22 anos, capixaba. Viciada em livros, séries, músicas e maratonas literárias. Apaixonada por azul, roxo e inverno. Formada em Pedagogia e se tudo der certo, futuramente Psicologia. Uma garota um pouco estressada que morre de medo do futuro.


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2 comentários:

  1. Esse livro está na minha lista de futuras aquisições, li "Mitologia Nórdica" do Gaiman e estou tipo "QUERO LER TUDO DELE" agora kkkk
    Você está acompanhando a série já? Não vi ainda, queria saber se vale a pena ver mesmo sem ter lido o livro, ou se deveria ler primeiro e assistir depois!

    Um abraço!

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  2. Oiiiii
    Nunca li nada desse autor, mas pretendo ler. Só ouço coisas maravilhosas sobre ele.
    Parabéns pela resenha. Ficou muito boa.
    Beijos
    Ariane de Freitas
    O que tem na nossa estante

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