17/04/2017

Resenha | O Feiticeiro de Terramar

O Feiticeiro de Terramar
  • Autor: Ursula K. Le Guin
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 176
Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda. Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários. 

Resenha feita pelo colaborador Thiago Oliveira

Publicado originalmente em 1968, O Feiticeiro de Terramar, primeiro volume do ciclo, ganhou destque entre os clássicos da Fantasia. O jovem feiticeiro Ged serviu de inspiração para outros jovens protagonistas versados em magia, como Harry Potter, Tim Hunter e tantos outros. A autora da série, Ursula K. Le Guin, tornou-se uma referência para escritores famosos como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e o próprio Neil Gaiman. Além disso, ela é uma vovozinha super fofa!


Quem já leu Harry Potter e a Pedra Filosofal vai se identificar bastante com as primeiras páginas de O Feiticeiro de Terramar. Logo no começo na narrativa, temos um pequeno vislumbre do poderoso feiticeiro conhecido como Gavião. Mas tal qual o menino que sobreviveu, Gavião também tem um passado, e é esse o ponto de partida do primeiro volume do Ciclo Terramar.

No universo criado por Ursrula K. Le Guin, os magos e feiticeiros tornam-se capazes de controlar os elementos da natureza quando aprendem seus verdadeiros nomes. “Mas Thiago, isso parece bastante com O Nome do Vento, do autor Patrick Rothfuss!”. Sim, a semelhança com o universo do protagonista Kvothe, nesse quesito, é bem perceptível. Mas diferente de Rothfuss, que gosta de dar uma de George R. R. Martin e florear bastante a narrativa, nossa dama da escrita Ursula Le Guin é muito mais objetiva, escrevendo toda uma aventura inicial em menos de 200 páginas (minha agenda de leitor compulsivo gredece!).


Nosso protagonista é Ged (nome que ele recebe quando se torna adulto). O jovem morador de um vilarejo da ilha de Gont, órfão de mãe, não tinha uma vida lá muito animada. Pastoreando um rebanho de ovelhas, certa vez, ele vê sua tia (que por um acaso é bruxa do vilarejo) chamar os animais por um nome “diferente”. O mais espantoso é que, após ouvir o chamado, as ovelhas responderam e seguiram a velha meio que como hipnotizadas. Achando aquilo tudo muito divertido, Ged logo aprende a tal “palavra mágica” e resolve ele mesmo testar a brincadeira. O que ele não esperava era acabar com as ovelhas seguindo-o por todo o canto, atraindo os olhares e as risadas dos moradores do vilarejo (no mundo de Ged, as pessoas não acham estranho um menino de seus 12 anos de idade praticar magia com ovelhas, muito bem, obrigado).

Percebendo que o sobrinho é dotado de magia, a velha bruxa livra Ged do feitiço e resolva ensiná-lo um pouco do que ela mesmo aprendeu ao longo dos anos. Em pouco tempo, Ged aprende o nome de vários elementos, e se torna bastante talentoso com artefatos de cura e truques com a chuva e a névoa. Mas então um pequeno exército marítimo do Império de Kargad decide entrar em guerra conta outros pequenas ilhas do local, incluindo Dez Amieiros, o vilarejo de Ged. É então que o garoto realiza seu primeiro grande feito: conjurando uma densa névoa, ele despista o exército inimigo, conduzindo-os a um precipício, salvando os moradores da ilha.

Contudo, esse truque lhe custa um grande esforço, e Ged acaba entrando num estado de inconsciência. A história do jovem feiticeiro de Gont logo ganha repercurssão, até que um grande mago conhecido como Ógion, o Mago de Re Albi, chega à ilha, procurando pelo menino. Ógion Não apenas desperta Ged de seu estado de inconsciência, como também o convida a tornar-se seu aprendiz. E após realizar um rito de passagem, onde nosso herói recebe seu verdadeiro nome, os dois partem em viagem.

“Nossa Thi, mas isso tudo já dava um livro!”. Calma, meu caro, que isso tudo é só o primeiro capítulo. Pra você ver como a Ursula Le Guin é a diva da pena e do tinteiro.

O aprendizado começa, mas Ged se mostra bastante impaciente com seu mestre. Ansioso por aprender os grandes feitiços ocultos, o jovem aprendiz decide ele mesmo consultar os livros secretos de Óguion, mas Ged acaba escolhendo o feitiço errado, e acaba se metendo numa enrascada que quase lhe custa a vida. Decepcionado, Óguion decide propor a seu jovem aprendiz uma outra alternativa: ingressar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts da Ilha de Roke. E Ged, prontamente, aceita.

Em Roke, Ged faz dois amigos: Rony e Hermione. Ou melhor dizendo, um amigo, Vetch, e um arqui-inimigo. Jaspe, que a princípio mostra-se amistoso, logo decide testar as habilidades de Ged, propondo-lhe um desafio. E Ged, que é bastante teimoso e orgulhoso, aceita. E isso desencadeia todo o grande conflito do primeiro livro: Ged acaba despertando um mal potencialmente destrutivo, algo que nem os magos mais poderosos são capazes de conter ou controlar, e essa “sombra” se destina a caçar o nosso herói por toda sua jornada.


Ged é um protagonista cheio de problemas, mas é justamente isso que o torna tão maravilhoso e faz a gente querer devorar o livro. Ele é bastante convencido de seu próprio poder e, muitas vezes, acha que isso é o suficiente pra realizar qualquer coisa. Em vários momentos, a gente vê ele ignorando completamente as regras, pondo de lado o restante dos parágrafos do livros de magia e tentando realizar encantamentos complexos mesmo sem ter noção das consequências, tudo porque ele é impaciente e presunçoso.

Entretanto, como protagonista, o jovem aprendiz de feiticeiro amadurece bastante, e muda completamente a forma como encara as responsabilidades, compreendendo que a saber o nome das coisas não o torna um verdadeiro Mago, mas sim os momentos em que você reconhece a necessidade de usar a magia (entre outras palavras, com grandes poderem vêm grandes responsabilidades).

Como dito anteriormente, O Feiticeiro de Terramar é um clássico da Literatura Fantástica. Logo, esse lançamento da Editora Arqueiro é uma republicação. Acredito que a editora teve o cuidado de revisitar a tradução, pois se comparada à primeira versão, o livro traz uma linguagem bastante acessível e dinâmica, o que facilita muito a fluidez da narrativa. O jeito como Ursula Le Guin escreve, também, é objetivo e, ao mesmo tempo, prolixo, sem perder tempo com detalhes que não nos interessam tanto saber, e nem por isso a narrativa deixa de ser rica. É impressionante como, nos três primeiros capítulos, Ged deixa de ser só um pastor de ovelhas e se torna o responsável por libertar uma das piores forças malignas de seu mundo.

O Ciclo Terramar é composto por cinco volumes — O Feiticeiro de Terramar (1968), Os Túmulos de Atuan (1971), A Praia mais Longínqua (1972), Tehanu, o Nome da Estrela (1990) e Num Vento Diferente (2001). Nessa nova edição, a Editora Arqueiro trouxe também um mapa com todas as ilhas que compõem o mundo de Ged. Isso facilitou muito a compreensão da história e ajudou a entender o deslocamento de Ged ao longo da narrativa. Ponto pra Arqueiro!

Thiago Oliveira é apaixonado por livros e blockbusters, gosta de escrever, redublar animações da Disney e visitar Hogwarts. Siga-me nas redes sociais: @thiioliv3ira.

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