16/02/2017

Resenha | Pax

Pax
  • Autor: Sara Pennypacker
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 288
Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas. Alternando perspectivas para mostrar os caminhos paralelos dos dois personagens centrais, Pax expõe o desenvolvimento do menino em sua tentativa de enfrentar a ferocidade herdada pelo pai, enquanto a raposa, domesticada, segue o caminho contrário, de explorar sua natureza selvagem. Um romance atemporal e para todas as idades, que aborda relações familiares, a relação do homem com o ambiente e os perigos que carregamos dentro de nós mesmos.

Resenha feita pelo colaborador Thiago Oliveira 

É complicado estabelecer “PAX” como um livro infanto-juvenil, porque ele fala de muitas questões que todo adulto deveria parar pra escutar. Através do olhar de um menino e de seu fiel companheiro raposo, o leitor é convidado a refletir sobre o verdadeiro valor da amizade, da confiança, da perda e até da guerra.


Quando o pai de Peter é convocado para a guerra, o menino se vê obrigado a deixar seu lar para ir morar com o avô. O problema é que Peter não está indo sozinho. Ao seu lado, está sua pequena raposa, Pax, que o garoto adotou depois de encontrar o animalzinho orfão em uma floresta perto de casa. Afeiçoados um ao outro, o grande dilema começa quando o pai de Peter obriga o garoto a deixar a raposa na floresta, uma vez que não é possível criá-la na casa do avô. E mesmo contra a sua própria vontade, Peter abandona Pax, deixando para trás um pedaço de si mesmo.

Arrependido de sua decisão, Peter decide voltar sozinho ao local onde deixara Pax, levando em uma pequena mochila alguns mantimentos e alguns objetos familiares. Logo no início da jornada, Peter enfrenta dificuldades além de sua capacidade e força, e assim ele encontra Vola, uma ex-combatente ainda assombrada por seu tempo na guerra e que, em virtude disso, escolheu viver isolada da sociedade.

Em contra-ponto, Pax também encontra outros de sua espécie na floresta, e pela primeira vez, a raposa tão domesticada se vê contando com seus instintos, até então desconhecidos, para sobreviver, e vai descobrir que os outros humanos não são tão confiáveis quanto seu menino, sobre tudo os que estão sofrendo pela doença que é a guerra.


Existem várias formas de um livro se tornar especial para nós, principalmente quando ele conversa com nossas experiências pessoais. Quem já passou pela experiência de ter um amigo de quatro patas, com certeza vai se identificar muito com a leitura. A narrativa é repleta de companheirismo e fidelidade, ainda que Peter e Pax atravessem a histórias separados. É curioso como, apesar de estarem em pontos tão distantes, as lembranças, os cheiros, as cores e até as palavras fazem com que ambos se transportem para perto um do outro, através da história que possuem juntos.

Alternando perspectivas para mostrar os caminhos paralelos dos dois personagens centrais (um capítulo é narrado pela perspectiva de Peter, e outro pelos olhos atentos de Pax), o livro expõe o desenvolvimento do menino em sua tentativa de enfrentar a ferocidade herdada pelo pai, enquanto a raposa, domesticada, segue o caminho contrário, de explorar sua natureza selvagem.

Sara Pennypacker já é famosa por sua sensibilidade na escrita, principalmente com o público infantil. Apesar de “Pax” ser seu primeiro título traduzido no Brasil, pela editora Intrínseca, sua maestria com a escrita é inquestionável, sobretudo pelos capítulos cuja perspectiva da narrativa se dá pelos olhos da raposa. Houve um intenso cuidado e pesquisa para representar com fidelidade o comportamento da espécie, sobretudo em meio à natureza, ao mesmo tempo que os questionamentos e o comportamento do animal em relação à sua experiência humana permeiam o livro de sensibilidade e emoção.


Já o ilustrador, John Klassen, escolhe os momentos certos de retratar a história, mostrando tanta sensibilidade e emoção quanto a autora. É engraçado como, através das ilustrações de Klassen, Pax e a floresta parecem dobraduras desenhadas no papel, aproximando o livro de seu público alvo, isto é, infanto-juvenil.

“Pax” é, de fato, um livro voltado para crianças. A forma como a narrativa aborda questões importantes como a morte e a guerra, é infantil. Mas nem de longe este é um livro destinado apenas aos pequenos, muito pelo contrário. Todos nós, que já fomos crianças algum dia, vamos nos identificar com a relação de Peter e sua raposa. Afinal, “pax”, do latim, significa “paz”, e a história de um menino que sai em uma jornada tentando recuperar sua paz, principalmente em tempos de guerra, sem dúvida, tem muito a nos ensinar.


Thiago Oliveira é apaixonado por livros e blockbusters, gosta de escrever, redublar animações da Disney e visitar Hogwarts. Siga-me nas redes sociais: @thiioliv3ira.

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