25/10/2016

Resenha | Uma Garota de Muita Sorte

Uma Garota de Muita Sorte
  • Autor: Jessica Knoll
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 336
Ani FaNelli passou por uma terrível humilhação na adolescência, que a deixou desesperada para se reinventar. Agora uma profissional bem-sucedida, com um armário invejável e um noivo atraente e bem-nascido para chamar de seu, Ani está prestes a viver a vida perfeita que tanto almejou. Mas ela guarda um terrível segredo. E sua vida perfeita é uma perfeita mentira. Bestseller do The New York Times chancelado pela crítica, Uma garota de muita sorte rendeu à estreante Jessica Knoll comparações com sucessos do thriller contemporâneo como Garota Exemplar, de Gillian Flynn, e A garota do trem, de Paula Hawkin, e será adaptado para o cinema por Reese Witherspoon. O livro abre a coleção Luz Negra, que reúne o que há de melhor no suspense contemporâneo, revelando o lado sombrio da alma humana.

Resenha feita pela colaboradora Laiara Dias

Esse é o tipo de livro do qual não posso dizer muita coisa da história sem comprometer sua futura experiência de leitura (caso você ainda não tenha lido). Então vou tentar passar aqui minhas impressões e apenas os detalhes básicos que são necessários para que não se crie uma expectativa errada a respeito da história.



Pra começar, Uma Garota de Muita Sorte não é um suspense do tipo “vamos descobrir quem fez isso ou aquilo”. Essa história pende mais para o thriller psicológico, digo isso pois o que acompanhamos ao longo de todo o livro é a mente da protagonista. Ani é aquela mulher que parece ter a vida perfeita, mas logo nas primeiras página podemos perceber que nada é tão perfeito assim pra ela. Ani na verdade é uma grande manipuladora, e por isso todos ao seu redor tem essa impressão errônea dela: Ani mostra para as pessoas o que elas querem ver.

Os capítulos então são intercalados entre o presente e a época em que Ani ainda estava no ensino médio, e daí começamos a perceber que Ani foi uma adolescente desesperada pra ser aceita, pra se encaixar, para entrar num padrão, e esse afã de ser aceita vai desenrolando em vários episódios que a tornarão a mulher que é hoje.

Não espere uma protagonista pela qual você sinta empatia instantânea, pois Ani é cheia de defeitos, e como a história é contada por ela, percebemos o quanto ela pode ser falsa com todos ao seu redor. Mas para mim essa foi uma das grandes sacadas do livro: ela não está lá para que eu simpatize com ela, a autora fez uma personagem plausível, que faz todo sentido no enredo como um todo, pois se Ani não fosse assim, a história não teria se desenrolado da maneira que tornou o livro tão interessante. As coisas que Ani viveu no passado a tornaram como ela é hoje, mas tais coisas nos são apresentadas aos poucos, e ficamos sempre com o sentimento de “tem algo mais por trás dessa fachada”, enquanto tentamos digerir as causas e consequências dos atos de Ani.

O livro aborda nas entrelinhas vários assuntos que são controversos e até perturbadores às vezes. Em várias passagens me peguei literalmente viajando e pensando nas implicações disso na vida real, pois são coisas que sabemos que acontece, e muito por aí. A autora toca em várias feridas da sociedade, às vezes com sutileza e outras vezes com uma crueza que pode nos deixar até nauseados. Uma garota de muita sorte fala de bullying, abuso, de como as expectativas que a sociedade colocam sobre nós pode interferir nos seres humanos que nos tornamos, como a mídia  pode distorcer opiniões, e trata de outras coisas que não posso citar aqui sem soltar major spoiler.

Eu terminei o livro com um misto de sensações que é até difícil de explicar: apesar de discordar das atitudes da protagonista, ao fim do livro entendi todas elas, pois para a personagem aquilo tudo faria sentido. A Rocco acertou em cheio em estrear essa “série” Luz Negra com esse título, e espero que venham outros com a mesma pegada. Super recomendo!


Sou baiana, criada no Mato Grosso, casada com um mineiro e cai de páraquedas nas terras capixabas. Viciada em Youtube e Netflix, chocólatra assumida, devoradora de chick-lits. Amo um bom romance açucarado e não resisto a um toque de pimenta na literatura, nem a uma colher de farinha no prato. Choro a toa, rio alto, e não consigo decidir entre ser ogra ou princesa! Muito prazer, essa sou eu!


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