08/08/2016

Resenha | A Vida Sexual das Gêmeas Siamesas

A Vida Sexual das Gêmeas Siamesas
  • Autor: Irvine Welsh
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 416
Tudo começa quando, em Miami, a personal trainer Lucy Brennan (“Sem desculpas, só resultados dizem as letras em alto-relevo de seu cartão profissional) interfere em uma tentativa de assassinato e, com socos e voadoras, imobiliza um homem armado. Foi um ato heroico, impressionante, cinematográfico e apropriadamente registrado pela câmera de um celular. Ela amanhece como uma das grandes sensações midiáticas do momento, atrás apenas das gêmeas siamesas de 15 anos do Arkansas que dividiram a nação com seu dilema moral: o que fazer quando uma quer sair para namorar e a outra prefere ficar em casa? Enfim, não importa, há espaço para todos. Lucy logo recebe uma proposta para estrelar um reality show no VH1, procura uma empresária e ganha uma fã número um: Lena Sorensen - única testemunha ocular de sua obra-prima e autora do vídeo que a levou ao estrelato - que acaba se tornando sua cliente. De um lado, uma atleta vigorosa, decidida, no auge da forma física; de outro, uma artista retraída, vulnerável e acima do peso. Os opostos se atraem, mas o que acontece depois? Se complementam? Ou se destroem? Capitaneada pelas duas personagens femininas mais fortes de toda a obra do autor, cujos pontos de vista se alternam durante a narrativa, o romance é uma hilária descida ao inferno da malhação, com direito a barrigas saradas, suor, sangue, cárcere privado, sexo e sadomasoquismo - provando que Welsh é capaz de ser Welsh mesmo quando sai de sua zona de conforto.

Resenha feita pela colaboradora Laiara Dias

Bem, gente, eu nem sei bem por onde começar a falar desse livro Mas vamos partir do pressuposto que você já leu pelo menos a sinopse, não é? Então vamos só ao que interessa rsrs. Temos duas personagens principais no livro, Lucy e Lena, sendo que Lucy é a narradora da maior parte da história. Aí que a coisa já começa mal: Não dá pra sentir empatia por Lucy! Ela é desprezível! Ela é personal trainer, então espera-se que seja muito ligada à saúde, exercícios e tal, mas ela é muito pior que isso! 


Lucy é viciada em exercícios, e é completamente gordofóbica, e além de tudo é muito misógina (ela se refere a todas as mulheres ao seu redor mentalmente como piranha, vadia, vaca, etc). Sério, a misoginia é tão presente na narrativa, que durante quase todo o livro eu tenho que me lembrar que ele está sendo narrado por uma mulher, porque parece muito a mente de um homem, e do tipo bem canalha e perturbado. Juntando isso ao fato da personagem ser bissexual, e ser retratada como alguém que pensa em sexo metade do tempo que passa acordada dá a entender que o autor não fez uma personagem mulher e sim uma personagem que retrata a fantasia louca dele de como é uma mulher.

O plot como um todo é uma grande bagunça e não faz sentido algum, e quando você chega perto do final, faltando 100 páginas para terminar o livro, há um plot twist que me fez pensar: “se o autor desenvolver bem isso, aí ele será um gênio, pois então tudo fará sentido”. Mas não, tudo continua não tendo muito sentido e tanto as justificativas passadas para os atos das personagens, quanto o desenrolar futuro da história das duas foi bem fraco.

Sobre as Gêmeas Siamesas, dá pra entender que o autor quis fazer um paralelo entre as irmãs e as protagonistas, mas o resultado foi mais uma história de pano de fundo sem uma conexão muito clara. Lembra que eu comentei que Lucy pensa metade do tempo em sexo? Isso claro traz algumas cenas gratuitas de sexo, e eu me senti ao lê-las como se estivesse vendo um dos episódios de “Marcelinho lendo contos eróticos”, daí já deu pra sentir o nível.

Enfim, pesquisei um pouco sobre o autor e parece que os outros títulos dele são bem renomados e muito elogiados tanto pela crítica quanto pelos leitores. Mas A Vida Sexual das Gêmeas Siamesas infelizmente não me ganhou, me passou a impressão de um livro feito sem muita preocupação com os detalhes ou com o desenvolvimento real das personagens. Tanto que uma das protagonistas é bem rasa. Acredito que exista sim um público que irá se agradar dele, mas houve para mim, muitos pontos negativos que sobrepujaram os positivos a ponto de até eu nem repará-los durante as mais de 400 páginas.



Sou baiana, criada no Mato Grosso, casada com um mineiro e cai de páraquedas nas terras capixabas. Viciada em Youtube e Netflix, chocólatra assumida, devoradora de chick-lits. Amo um bom romance açucarado e não resisto a um toque de pimenta na literatura, nem a uma colher de farinha no prato. Choro a toa, rio alto, e não consigo decidir entre ser ogra ou princesa! Muito prazer, essa sou eu!


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4 comentários:

  1. Pela descrição essa personagem parece ser bem repugnante.
    To aqui imaginando a Laiara falando dessa personagem lá no clube do livro rssss

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  2. Verdade Hércules, rsrsrs. Muito difícil da gente gostar de um livro quando não há empatia com a personagem principal ou com a narradora.

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  3. Mas os personagens do Welsh são assim mesmo. Desprezíveis, problematicos, viciados etc. Sugiro que assista ou leia Transpotting, o título que levou o autor ao sucesso, e que tera uma sequência esse ano no cinema.

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  4. O livro funciona até as últimas 40 páginas finais. Ocorre uma reviravolta que o Welsh provavelmente quis colocar como "impensável", mas é simplesmente uma das mais escrotas de um livro escroto, ou seja, o romance é um dos piores já escritos pelo autor.
    E gostei da personagem Lucy Brennan.

    Agora, me diz se o termo "gordofóbico" já foi cunhado no dicionário.

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