29/08/2016

Resenha | Loney

Loney
  • Autor: Andrew Michael Hurley
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 304
Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar. À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem. O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço.

Resenha feita pela colaboradora Laiara Dias

Loney é o típico exemplo de uma forma que eu costumo muito dizer: “crie lhamas montanhesas, mas não crie expectativas”. Eu tentei ao máximo me manter alheia aos comentários que estavam saindo a respeito desse livro, mas como houve muito buzz em torno do título, muita gente comentando que o livro foi muito elogiado e tal, não teve jeito, eu criei a bendita da expectativa, e não estou aqui pra te convencer a não lê-lo, pelo contrário, leia, pois é um livro muito bom, mas baixe suas expectativas para que sua experiência de leitura não seja prejudicada.


A história é toda contada pelos olhos do filho mais velho dos Smith, apesar da narrativa girar em torno de Andrew, o caçula da família. A família Smith é muito católica, e ao dizer muito católica leia-se quase fanática. Esther, a matriarca, é tão ligada aos rituais da igreja e tão presa aos mesmo que chega a ser chata em vários momentos, inclusive com o padre que
está tentando dar o seu melhor nessa peregrinação pascal até o Loney.

A sra. Smith nunca conseguiu se conformar por seu filho mais novo ter nascido mudo, e aparentemente com algum tipo de dificuldade de aprendizado que não fica muito clara, a única coisa que pude notar é que Andrew tem um temperamento demasiadamente infantilizado. A peregrinação até o Loney é a busca obsessiva pela cura de Andrew. Mas parece que algumas pessoas da região não estão muito contentes com a estadia dos Smith e seus amigos no Loney, e então algumas coisas estranhas e sem muito sentido começam a acontecer.

A narrativa como um todo é muito bem feita, bem amarrada, sem pontas soltas e bem escrita. Mas fiquei com uma sensação de que faltava algo. Por causa de todo hype em volta de Loney, eu esperava que fosse algo assustador, sabe, o tipo de coisa que me fizesse sempre imaginar qual reviravolta viria no próximo capítulo. E como eu esperava algo assim, quando chegou ao final pensei: “é só isso?”.

Tudo bem que sou bem sanguinolenta, gosto bastante de um clima sombrio e trevoso, e Loney passou um pouco longe disso. De forma alguma é um livro ruim, pelo contrário, é uma ótima história, mas creio que focá-la no mistério não é o melhor caminho, pois percebi bem mais a ênfase nas relações das pessoas com as suas tradições e com aquilo que querem acreditar e até onde elas levam sua fé.

Portanto, crie lhamas, mas não crie expectativas.



Sou baiana, criada no Mato Grosso, casada com um mineiro e cai de páraquedas nas terras capixabas. Viciada em Youtube e Netflix, chocólatra assumida, devoradora de chick-lits. Amo um bom romance açucarado e não resisto a um toque de pimenta na literatura, nem a uma colher de farinha no prato. Choro a toa, rio alto, e não consigo decidir entre ser ogra ou princesa! Muito prazer, essa sou eu!


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4 comentários:

  1. Ta parecendo com os mistérios de séries britânicas, e o que a Laiara estava esperando provavelmente era algo mais parecido com o que King costuma fazer.

    Ainda continuo animado para ler.
    Apesar de gostar de series de suspense/policiais britânicas na tv, vamos ver como será lendo.

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  2. Vale a pena ler sim, mas o suspense é bem raso Hércules... Poucos elementos da narrativa sustentam o mistério, e se ninguém te disser antes da leitura que há um mistério no meio da história, passa quase batido...
    Achei a relação familiar dos irmãos entre si e com a mãe muito mais proeminentes durante o livro todo. Mas no geral, achei o livro bem legal e gostaria muito de ver mais trabalhos do autor publicados por aqui ;)

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  3. Primeira vez que venho aqui no blog, e já adorei sua resenha. Muito bom ver opiniões que espressam o que gostou e o que não gostou na história, assim o leitor pode se identificar ou não com o que você falou. Esse livro não é meu estilo de leitura, mas gostei da dica :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  4. Quando eu li "crie lhamas, mas não crie expectativas" eu lembrei exatamente das palavras da Laiara no Clube do Livro. Então era desta decepção que surgiu o assunto rs
    Tenho vontade de ler apesar da sua pequena decepção. Ainda me parece um livro interessante.
    Aline, te indiquei para o Blog Day :)
    Bjuxxxxx

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