28/07/2016

Resenha | Em Busca de Abrigo

Em Busca de Abrigo 
  • Autor: Jojo Moyes
  • Editora: Bertrand Brasil
  • Páginas: 434
Na noite da Coroação da Rainha Elizabeth II, em 1953, a comunidade de expatriados de Hong Kong se reúne para celebrar o evento com uma festa. Enquanto os convidados tentam ouvir a cerimônia em um rádio antigo, Joy, uma jovem de 21 anos, se apaixona. Menos de vinte e quatro horas depois da festa, ela já está prometida em noivado ao rapaz, mas só tornará a se encontrar com o noivo um ano depois. Em 1980, um ato de rebeldia faz Kate, aos 18 anos, fugir do Condado de Wexford, na Irlanda, com sua filha ilegítima. Quinze anos mais tarde, Sabine deixa Hackney, o elegante bairro onde mora, em Londres, para visitar os avós que jamais conheceu e descobre que Wexford parece ter parado no tempo. Quando Sabine, sua mãe e sua avó voltam a se encontrar, um segredo de família cuidadosamente guardado é descoberto, bem como algumas verdades importantíssimas: o conflito entre o amor e o dever, as escolhas que as mulheres são obrigadas a fazer e o relacionamento entre mães e filhas.

Resenha feita pela colaboradora Laiara Dias

Não sei vocês, mas quando eu vejo o nome Jojo Moyes já penso logo em romance, e do tipo que nos fazem chorar copiosamente. Pois acredite se quiser: Em Busca de Abrigo não é um romance… Pelo menos não desse tipo! Esse é o livro de estreia da Jojo, e ele é um romance como estilo literário, e só. A história fala mais sobre relações familiares, mais especificamente da relação entre mãe e filha ao longo de três gerações.


O livro começa contando um pouco da história de Joy, nos anos 50 e de como ela conheceu seu marido Edward, um oficial da marinha. Nessa curta apresentação, somos até levados a acreditar que vem muito romance meloso pela frente, já que de cara temos um casal se apaixonando. No entanto, logo após isso temos um salto na história de mais de 40 anos, onde somos apresentadas a Kate e Sabine, que são filha e neta de Joy, respectivamente. Kate está se separando do seu marido (que não é pai de sua filha, digo logo, e isso não é spoiler) e para poupar Sabine do drama final da separação (e pra não piorar a já não muito boa relação que ela tem com a filha), Kate então envia a filha para passar uma temporada na casa dos avós no sul da Irlanda. Só que a própria Kate não fala com os pais há anos, Sabine então, nunca os conheceu.

A partir daí a narrativa flutua entre passado e presente dando ênfase nas dificuldades que essas três mulheres têm de se relacionar entre si, e aos poucos vamos descobrindo quais são os motivos ocultos pelo passado para que cada uma seja da forma que é hoje. Joy com sua forma fria e autoritária, Kate com sua maturidade emocional de uma adolescente e Sabine, que é de fato uma adolescente, ainda tentando se descobrir no mundo e entender porque nunca fez parte de uma família de verdade.

O livro é gostoso de ler, sem grandes emoções, mas o tipo de leitura leve, prazerosa para aquelas tardes nubladas e preguiçosas, sabe. Os personagens são bem críveis, todos eles tem defeitos e qualidades e nenhum é pintado como um grande terror ou um mocinho insuperável, a não ser na imaginação de outro personagem. O livro é narrado todo em terceira pessoa, mas com pontos de vista diferentes, com vários flashbacks no meio da narrativa. Essas partes às vezes me deixaram desconfortável na leitura, pois senti falta de uma separação clara entre o que era ou não uma narrativa no passado, pois os mesmos acontecem no meio dos capítulos, que por sua vez são bem longos. Talvez se os trechos de flashback fosse em capítulos à parte eu sentiria mais fluidez e conseguiria organizar melhor as causas e consequências de alguns acontecimentos.

Como disse o livro não tem grande emoções, o romance é salpicado aqui e ali, mas o foco mesmo é a relação entre essas três mulheres (e em como um boa sessão de terapia teria resolvido metade dos problemas delas rsrs). O plot twitst acontece bem no finalzinho, e depois dele as coisas acontecem de forma bem acelerada, quase correndo, mas no geral foi uma leitura bem agradável, porque a Jojo sabe contar uma história, e mesmo sem haver nada de extraordinário acontecendo, ela tem um dom para te manter preso ao livro, seja pela personalidade de cada personagem ou pelos cenários lindos e campestres que me transportaram para a Irlanda o tempo todo, me fazendo até ouvir os trotes dos cavalos descritos nos livros!

Lá no Goodreads eu dei três estrelas!



Sou baiana, criada no Mato Grosso, casada com um mineiro e cai de páraquedas nas terras capixabas. Viciada em Youtube e Netflix, chocólatra assumida, devoradora de chick-lits. Amo um bom romance açucarado e não resisto a um toque de pimenta na literatura, nem a uma colher de farinha no prato. Choro a toa, rio alto, e não consigo decidir entre ser ogra ou princesa! Muito prazer, essa sou eu!



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5 comentários:

  1. Esse não é do estilo "chorando os olhos aqui" que alguns livros dela tem. Mas mesmo assim é uma leitura bonita, ainda mais por ter esse foco nas relações familiares e por fazer você ir tentando descobrir as coisas. A autora é boa de criar histórias mesmo e consegue manter a graça mesmo que não seja aquela coisa extraordinária. É uma leitura agradável mesmo, boa pra quem quiser dar uma mudada do estilo "chorei" dela.

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    Respostas
    1. Exatamente Cristiane ;) Eu até me surpreendi com o estilo desse!
      Obrigada pelo comentário!

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  2. Interessante a resenha da Laiara, deixou as coisas mais claras, porque ao lêr a sinopse fiquei sem entender nada parecia até viagem no tempo.

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  3. Olá!
    Já conhecia o livro, mas não tinha lido muitas resenhas sobre ele.
    Pela resenha, o livro pareceu bacana, gosto de livros que tratem de relações familiares. Deve ser bonito acompanhar a história dessas três gerações.
    Apenas li um livro da autora, Um mais Um, e adorei. Ele também não é um livro para chorar. Foi por esse motivo que o li, tenho Como era antes de você, mas li, já comecei, mas não fui até o fim, pois achei triste.

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  4. Oi!
    Ainda não li esse livro da Jojo e achei a historia interessante por temos três protagonistas mulher e em tempos diferentes ainda mais sendo da mesma família, mas esse não foi um livro da autora que me chamou atenção !!

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