23/05/2016

Resenha | Alucinadamente Feliz

Alucinadamente Feliz
  • Autor: Jenny Lawson
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 352
Jenny Lawson está longe de ser uma pessoa comum. Ela mesma se considera colecionadora de transtornos mentais, já que é uma depressiva altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos).  Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é. Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. É por meio das situações mais inusitadas que a autora consegue encarar seus transtornos de forma direta e franca, levando o leitor a refletir sobre como a sociedade lida com os distúrbios mentais e aqueles que sofrem deles, sem nunca perder o senso de humor. Jenny parte do princípio de que ninguém deveria ter vergonha de assumir uma crise de ansiedade, ninguém deveria menosprezar o sofrimento alheio por ele ser psicológico, e não físico. Ao contrário, é justamente por abraçar esse lado mais sombrio da vida que se torna possível experimentar, com igual intensidade, não só a dor, mas a alegria.

Resenha feita pela colaboradora Pamela Fardin

Provavelmente ao ver a capa vocês logo imaginaram algo outro guaxinim, certo?


Pois é, na minha opinião o Rocket Racoon pode muito bem também ser um exemplo de um bichinho alucinadamente feliz, da mesma forma que a autora propõe. Do inglês como “Furiously happy”, a autora Jenny Jawson conta que foi diagnosticada com vários transtornos mentais, entre eles a depressão. O tratamento passou a ser uma grande dificuldade na vida de Jenny, prejudicando sua vida social e seu relacionamento com a família (o marido, a filha e até seus gatinhos). Porém em um grande insight, ela decide tomar outro rumo para sua vida: em seu blog “The bloguess”, ela inaugura um movimento pela felicidade, lutando contra tudo que pode a deixar para baixo. Ela se propõe a fazer sempre o inesperado, não pensar muito – ou seja, ser sempre alucinadamente feliz.



Com isso, em seu livro Jenny Lawson emplaca diversas histórias e discussões sobre acontecimentos do seu cotidiano, como por exemplo a ida à ginecologista ou as conversas diárias com o marido. Por outro lado, ela também tem os diálogos mais hilários e loucos com ela mesma e claro, com o leitor. Temos um capítulo direcionado exclusivamente ao bocejo dos gatos. Sim, isso mesmo!

E como falei do “Rocket Raccon” dela aí em cima, é legal de explicar que na verdade ele se chama Rory, “o guaxinim que oferece high-fives para todos”. Na verdade não se enganem, Rory é um bichinho empalhado de estimação, na qual Jenny se dedica a andar para cima e para baixo com ele. Olha aí o Rory passeando no Grand Canyon:

Uma foto publicada por Jenny Lawson (@thebloggess) em

Sem contar que Rory também protagoniza com Jenny os maiores e melhores rodeios de gatos que os Estados Unidos já viu. Mas isso é outra história, que se vocês tiverem a oportunidade de ler o livro vão poder entender...

Alucinadamente feliz é um livro que pode ser lido aos poucos, fazendo que você aprecie cada trecho da história de Jenny: sendo trágica ou não, louca ou não, engraçada ou não - depende do seu ponto de vista. É um livro de perspectiva, que faz com que todo mundo conheça um pouco da proposta de Jenny, onde ela não quer ser definida como uma pessoa com um diagnóstico (vários no caso), mas sim como ela mesma. Sendo feliz. Às vezes, algumas falas da Jenny podem ser totalmente fora de realidade, mas parando para refletir, elas simplesmente são reflexo da realidade na qual ela quer entender. Na minha opinião, o livro é muito recomendado!

Para finalizar, uma pequena reflexão da autora:

“Eu queria saber se quando são filhotes os pássaros tentam pousar nas nuvens. Se acontece, será que é como quando achamos ter chegado ao último degrau, mas ainda tem outro e damos um passo em falso e fazemos aquele barulho e todo mundo olha? Seria uma droga. Mas pelo menos os pássaros não podem ser vistos quando fazem merda e caem através da nuvens”.

Nota: 5/5



Pâmela, capixaba, 22 anos e Estudante de Psicologia. Bookholic, apaixonada por músicas lindas. Maratonista de seriados de carteirinha, companion perdida do Doctor e seguidora de Sherlock Holmes, Patrick Jane e Cal Lightman. Pensa em um dia conhecer o Reino Unido e é fã de uns caras conspiradores que tocam em uma banda chamada Muse.

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4 comentários:

  1. Oi Aline.
    Interessante a estória de vida da autora, bom confesso que odeie essa capa, mas gostei da premissa, fiquei muito curiosa para saber o que passava na cabeça da autora nesses momentos difíceis.
    Boa Tarde.

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  2. Oi Pam!
    Parabéns pela resenha! O que mais me chamou atenção em relação ao livro, é que leva a reflexão de que algumas vezes, a nossa felicidade depende da forma como nós encaramos a vida, né...
    Um dia ainda lerei, com certeza!

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  3. Olá...
    A resenha ficou fantástica!!! Não imaginava que esse livro pudesse ser tão tocante assim... Com certeza quero ler e concordo que muitas vezes, no lado mais sombrio da vida é onde temos nossas maiores e melhores experiências.
    Beijinhos

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  4. Oi, Pam!
    Adorei sua resenha. Conheci o livro na turnê da intrínseca e logo fiquei louca pra ler. Achei bem legal a colocação de que ela quer ser ela mesma e não os seus diagnósticos. Isso me lembrou muito de quando as pessoas falam: "ah sim, fulano que tem isso ou aquilo, que é assim ou assado". Sempre estereotipando. Cada um é o que é e ponto final, o que importa é a busca por essa felicidade, enfrentar e conseguir as adversidades da vida, não importa como, se você vai parecer maluco ou não. Gostei muito dessa forma inusitada que a Jenny encontrou para viver cada dia alucinadamente feliz. :)

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