20/09/2015

Resenha | Fragmentados

Fragmentados 
  • Autor: Neal Shusterman 
  • Editora: Novo Conceito
  • Páginas: 320 

Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

Resenha feita pelo colaborador Marcus Vinícius

É uma característisca da distopia nos apresentar um mundo apocalíptico que nos faz pensar o que faríamos se nascemos inserido nesse meio. O mundo apresentado por Fragmentados não chega a ser o pior dentre as realidades distópicas, mas ainda assim revela uma sociedade bem peculiar. Nele, temos algumas regras que são comuns à sociedade. A principal delas, a Lei da Vida, dizia que os jovens entre 13 e 18 anos poderiam ser “doados” ao Governo para serem “fragmentados”. Isto é, seus órgãos e partes corporais eram separadas e passariam a ser usados em transplantes e salvariam vidas (e “continuariam vivendo, só que uma forma diferente...”). 


Ao longo do livro em alguns momentos temos uma bela explicação de como a fragmentação funciona e o que levou a humanidade a chegar nesse ponto. A segunda era a Iniciativa da Cegonha: se alguém abandonasse um filho na porta de uma residência e era achado por essa nova família, esta seria a nova responsável legal pela criança, (e que possivelmente cuidaria dela até completar 13 anos e a enviaria para a fragmentação). Mais detalhes sobre essas duas regras ficam melhores esclarecidas com a leitura do livro.

A história possui três protagonistas que serão fragmentados por razões distintas. Connor é um filho problemático cujo a família vê a fragmentação como uma forma de se livrar do problema; Risa é uma adolescente que cresceu numa espécie de orfanato, e que por necessidade de terem novas vagas, é enviada para ser fragmentada; e Lev, décimo filho de uma família bem religiosa e que o envia para ser fragmentado como uma espécie de dízimo.

Três personagens de origens bem diferentes, mas que são unidos por acontecimentos e partem juntos a lutar pela sobrevivência. Com o desenrolar da história aparecem novos personagens, novas tramas são descobertas, reviravoltas acontecem. Além disso, vamos conhecendo um pouco do mundo onde eles estão inseridos. Tudo feito de modo impecável, de forma a manter a trama envolvente e prender a atenção a todo momento. Os capítulos são divididos por personagens, assim hora acompanhamos a visão de Connor, ora de Risa, ora Lev, e ora de outros personagens da trama. Apesar da escrita ser em terceira pessoa, fica bem claro entender as motivações e filosofias de cada um.

Temos aqui um novo fascinante mundo criado e mesmo com uma narração simples, nos deixa uma série de pensamentos por vezes discretos, como fé, existência da alma e a ignorância humana. O final é digno e este passa a ser uma leitura obrigatória para os fãs dos gêneros distópicos. Vale (muito) a leitura. 


Marcus Vinícius é maranhense por nascimento e capixaba por criação. Nos livros gosta de distopias, nos filmes gosta de ficção científica, nos esportes gosta de handebol e baseball, na comida gosta da japonesa e na música gosta de rock. É professor de matemática e espera o dia em que essa disciplina será uma paixão nacional.

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6 comentários:

  1. Já vi muitas pessoas comentando sobre esse livro, e muitas delas falando de forma positiva. Como eu amo distopia, o livro está na minha lista há algum tempo. A história aparenta ser ótimo, e a forma como o autor criou parece ser melhor ainda!

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  2. Eu estou louca para ler esse livro, e agora depois da sua resenha minha vontade aumentou mais ainda. A trama desse livro é tão absurda que eu não tenho uma opinião definida ainda se leria ou não! Mas... como sou apaixonada por distopias sinto na obrigação de ler. Um fato que gostei muito é que a história é contada intercalando o ponto de vista de cada personagem. Acho essa técnica muito legal! Assim, temos várias visões da mesma história!
    Resenha adorável!
    Abçs!!

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  3. Aline!
    Gostei demais da leitura desse livro, embora a ideia de ser fragmentado depois de uma certa idade me causou certa ojeriza.
    O livro é bem construído, uma distopia diferenciada das que andamos lendo.
    Agora estou no aguardo da continuação.
    “Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror.”(Charles Chaplin)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  4. Olá!
    Não conhecia o livro antes de ler a resenha e me interessou bastante!
    Gosto muito do gênero distopia e achei a história diferente das apresentadas nos livros atuais.
    Os três personagens citados pareceram bons. Achei legal também o livro ter a visão dos três, assim entendemos melhor os personagens e a história.
    Outro fato que gostei foi não ser uma série, pois ás vezes temos que esperar muito tempo até a continuação ser lançada.

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  5. Eu quero muito ler este livro e a Adriana me deu o dela, será uma das minhas proximas leituras. Nao entendo como alguém cria uma criança e não se apega a ela de modo que depois consiga doá -la para fragmentação! Um filho então! Fico indignada! Quero entender o que passa na cabeça deste povo.
    Abraços
    Gisela
    Ler para divertir

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  6. Fragmentados entrou para minha lista de desejados neste momento. Pra começar, eu amo distopias e só não dei uma chance à esse livro por conta de sua capa que me desagradou. Mas, com sua resenha pude perceber que o julgamento pela capa foi falso, o livro parece conter uma escrita maravilhosa, e quero entender mais esse processo de fragmentação.

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