25/08/2015

Artigo | Escrever ou não escrever: Eis a questão!


Na maioria das vezes, dentro de um grande leitor existe o desejo de se tornar um escritor. Talvez nem tão longe assim. Às vezes, apenas escrever para si mesmo já é um grande passo e uma grande realização para a pessoa. É exatamente assim que me sinto. Faço parte do grupo de leitores que deseja um dia se tornar - quem sabe? - uma autora, mas que se contenta em escrever somente para mim, para os momentos que eu preciso. Esse desejo já vem em mim desde mais cedo, quando tinha 13/14 anos e lia livros juvenis. A partir desse desejo, consegui colocá-lo em prática através do fanfiction.net, que para quem não conhece é um site de fanfics. E - por mais incrível que pareça - eu me sentia muito realizada ali. A autora.

Cada comentário e pedido para novos capítulos por parte dos leitores do site me deixava muito feliz. E assim, eu fui me empolgando mais, as ideias foram brotando em minha mente e minhas mãos não conseguiam ficar quietas. Eu precisava escrever. Escrever era a parte do meu dia - entre a escola, a natação e meu descanso - em que eu mais desejava que chegasse e que se perdurasse. Isso aconteceu durante muitos anos, até que minhas prioridades começaram a mudar. Veio o ensino médio, a pressão para escolher uma faculdade, os estudos para os simulados. A vida me refreou e fez com que aquele momento que eu ansiava sempre começasse a ficar escasso até não mais existir. E eu - apesar de no início sentir falta - comecei a aceitar.

Passei no vestibular, fiz faculdade, TCC. Escrevia sempre. Não aquilo que eu desejava ou o que eu fazia quando mais nova, mas sim todos os meus deveres. Eu ainda tinha uma pasta no meu notebook com todas as minhas histórias inacabadas e ideias que pareciam brilhantes na época, mas que começaram a ter defeitos quando li mais velha. E todos esses impedimentos que eu mesma colocava, fizeram com que eu me esquecesse da vontade de escrever. De mostrar um pouco do meu mundo e da minha imaginação para os outros. Eu ficava extremamente insegura do que aquelas pastas guardavam. E se acharem ruim? E se foi uma ideia que já tiveram? E se?

Tantos "E se's" que realmente todas as ideias que tive - pelo menos as centrais - começaram a aparecer no mercado editorial. E isso fez com que eu me escondesse ainda mais. Agora sim que eu não iria continuar a escrever. Como me destacaria? Como me destacaria? Até que percebi que não importava. O mercado literário é ainda mais competitivo hoje, mas eu não tinha - não tenho - a pretensão de chegar até ele. O que importa é que eu escreva algo que goste. Que me faça querer ficar em frente ao notebook mostrando minhas ideias e meus mundos escondidos. Somente para mim, que seja. 

Ninguém pode te impedir - até você mesmo - de querer fazer algo. Nem que seja por hobby ou até carreira de vida. Escreva, cante, dance, atue, atenda, defenda. Faça o que te faça feliz. Considere as opiniões, mas também as deixe de lado. Absorva as críticas - apenas aquelas que te façam crescer. E escreva. Semana passada, depois de belos 7 anos sem escrever nem uma linha sequer, eu comecei a reler, construir e colocar no papel tudo aquilo que estava em minha mente por todo esse tempo. Não sei se está bom para os outros. Para mim está. 


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5 comentários:

  1. Com certeza, escrever para si mesmo já é um grande passo para se tornar um escritor. Desde o diário sobre como foi o nosso dia, a famosa redação de como foi suas férias até um poema dedicado ao dia das mães, tudo isso nos torna um belo escritor. É bem a verdade a quantia de "E se..." que passa por nossas cabeças, mas chegou a hora de acabar com isso e partimos para a ação, a realidade.

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  2. A sua história nos contou uma grande verdade sobre muitos daqueles que querem escrever, mas simplesmente põe em suas mentes esses "e se", que fazem desistir de tudo.
    Não devemos jamais desistir do que realmente queremos e acreditamos, como você mesma citou, escreva, cante, dance, atue, atenda, defenda, faça nem que seja para si mesmo.
    Adorei saber um pouco de como começou seu amor pela leitura, e como tantas dificuldades surgiram para desanimar a continuar, mas como também superou tudo isso. <3
    Bjs Aline!!

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  3. Aline!
    Pensamento exato ao meu.
    Escrevo para mim, porque gosto de escrever e não me importo se um dia lançarei ou editarei qualquer das minhas histórias, mas me sinto realizada em escrever, em colocar no papel o que sinto, o que imagino...
    e o futuro... vai saber. Quem sabe após minha morte, maridão e filhotas resolvam lançar meus escritos? kkkkk
    “A dúvida é o principio da sabedoria.”(Aristóteles)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista!

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  4. Oi!
    Parabéns por ter voltado a fazer algo que gosta! Eu escrevo só minhas resenhas mesmo, mas admiro demais quem consegue criar histórias, sejam elas publicadas depois ou não. Te desejo muita sorte nessa nova fase :)
    Beijos

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  5. Oi Aline!
    Sei como você se sente, e gostei muito do texto. Escreva para você se isso te faz feliz, algumas histórias persistem em nossas mentes por anos e merecem serem escritas, mesmo que seja apenas para saciar a nossa ânsia por produzir algo. O essencial é não perder o prazer pela escrita por causa dos "e se" e outros diversos medos!

    Beijos,

    Gabi
    Mundo Platônico
    http://www.mundoplatonico.com/

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