14/07/2015

Resenha | Eu, você e a garota que vai morrer

Eu, você e a garota que vai morrer
  • Autor: Jesse Andrews
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 288
Eu, você e a garota que vai morrer é uma mistura perfeita entre drama e humor e um retrato preciso da adolescência em face do amadurecimento. Na trama, Greg tem apenas um amigo, Earl, com quem passa o tempo livre jogando videogame e (re)criando versões bastante pessoais de clássicos do cinema, até a sua mãe decidir que ele deve se aproximar de Raquel, colega de turma que sofre de leucemia. Contrariando todas as expectativas, os três se tornam amigos e vivem experiências ao mesmo tempo tocantes e hilárias, narradas com incrível talento e sensibilidade.

Resenha feita pela colaboradora Pâmela Fardin


Eu, você e a garota que vai morrer é um livro inesperado. A gente já sabe que quando um estilo literário funciona (em termos de marketing editorial), cada vez mais vemos lançamentos nesse mesmo estilo. Temos vampiros e zumbis como bons exemplos disso. Nesse caso, abordaremos o tão falado sick-lit, que traz sempre um personagem estigmatizado com alguma doença, acompanhado de uma história de amor. E quando lemos esse título que chama a atenção, temos aquela intuição que o livro vai seguir por esse caminho. Bem, não é por aí.


Greg é um garoto normal do último ano do high school que faz um esforço gigantesco para não chamar a atenção. Tenta conhecer todos, não se envolver em nenhum grupo, evitando assim qualquer tipo de holofote. Porém, sua vida muda completamente quando sua mãe tenta se meter em sua vida social e resgata uma ex-namorada de seis anos atrás. Rachel, também frequentadora da sua sinagoga, está com leucemia. Com essa justificativa, sua mãe pede que Greg volte a falar e sair com ela, para tentar alegrá-la e ajudá-la a enfrentar a doença. Porém o foco não fica só aí, como eu esperava que acontecesse. Conhecemos também Earl, que seria considerado o único amigo de Greg. Eles têm o que podemos chamar de relação profissional (ou não mesmo! haha), onde desde pequenos quando se conheceram, foram atraídos por um gosto em comum: filmes esquisitos e a vontade de fazer remakes deles. 

“É uma verdade universalmente reconhecida que o colégio é uma droga. Pra falar a verdade, o colégio é o local onde nós somos apresentados, pela primeira vez, à pergunta existencial básica na vida: como é possível existir num lugar tão bosta?“
Pág. 11

Então aqui, eu retomo a primeira frase da resenha: Eu, você e a garota que vai morrer é um livro inesperado. É uma história completamente sarcástica, que não se esforça em nenhum momento para dar lição de moral ou ser altruísta. O foco aqui não é doença e superação, mas sim como viver a realidade, como lidar com ela da forma que ela aparece. Greg, junto com Earl, tem as tiradas mais engraçadas, sempre tentando se superar com as piadas (eu ri bastante da parte da sopa vietnamita, confesso). Tudo isso faz com que o livro seja simplesmente um caso, sobre família, adolescência e o destino, tirando - na minha opinião, de propósito - qualquer expectativa em cima da história, que já vem em nossa mente quando vemos que estamos lendo um livro que tenha câncer. Isso é inesperado.

Outro ponto a falar são algumas coisas que notei. Não me incomodaram, mas não podem deixar ser mencionadas. Sei que essa pode ter sido a intenção do autor, mas sendo que o livro é tão aproximado assim da realidade e narrado em primeira pessoa por Greg, ele acabou ficando sem emoção. Isso mesmo, você não sente praticamente nada lendo a história. Eu não me apeguei aos personagens, não fui cativada por eles. Foi até uma experiência nova, pois os últimos livros que li foram bem empolgantes quanto a personagens. Foi uma surpresa que eu fosse sentir tanta falta desse aspecto dentro da história. Também posso citar que Earl e Rachel são meros coadjuvantes no livro. Fiquei esperando mais aprofundamento neles, mas não aconteceu.


Para finalizar, posso dizer que Eu, você e a garota que vai morrer vem como uma brisa leve no gênero sick-lit (se é que a gente pode encaixar ele ali). Foi um modo totalmente diferente de tratar o assunto, em meio a tantos outros títulos que já trouxeram a doença como enfoque principal. Divertido, inteligente, sarcástico e um bom passatempo, principalmente para ser aquele livro a ser lido no meio de uma ressaca literária. Ainda dentro do assunto, também teremos o filme a ser lançado esse ano, também roteirizado pelo mesmo autor e dirigido por Alfonso Gomez-Rejon. Conta com Thomas Mann (Dezesseis luas, João e Maria: caçadores de bruxas) como Greg, Olivia Cooke (a Emma de Bates Motel! S2) como Rachel e RJ Cyler como Earl. O filme já foi até vencedor do Festival Sundance 2015, nas categorias de Público e Crítica. Confira o trailer:


Pâmela, capixaba, 21 anos e Estudante de Psicologia. Bookholic, apaixonada por músicas lindas. Maratonista de seriados de carteirinha, companion perdida do Doctor e seguidora de Sherlock Holmes, Patrick Jane e Cal Lightman. Pensa em um dia conhecer o Reino Unido e é fã de uns caras conspiradores que tocam em uma banda chamada Muse.

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6 comentários:

  1. Já tinha visto diversas vezes esse livro por vários lugares, mas nunca parei nem sequer para ler a sinopse ;P mas achei incrível, principalmente por já ter, até mesmo o trailer do filme. Quero muito ler... entrou em minha lista sem fim de livros para comprar kkk Abçs!!

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    1. Mais um para a lista enorme de livros desejado, não é? hahaha O trailer foi bem gracinha, espero que o filme também seja assim :D
      Beijos, Pam

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  2. Não me interessei muito por este desta vez.
    Bjs, Rose.

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    1. Que pena :( Experimente então dar uma conferida no filme quando lançar, talvez você curta ;)

      Beijo!
      Pam

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  3. Depois do " A culpa é das estrelas " estou evitando livros com algum personagem com câncer, não sei porque, mas não me identifiquei, e por você ter falado também que não dá para sentir nada.... Em a culpa é das estrelas eu até chorei, nesse acho que não vai rolar lágrimas. rs - A resenha está ótima, mas o livro não empolgou.
    Um super beijo

    http://ddreamsoficial.blogspot.com.br/

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    1. Acho que lágrimas é a última coisa que vai rolar hahaha Tá mais para risadas! É uma pena mesmo que o livro não empolgou, mas dá pra conferir o filme para conhecer a história ;)

      Beijos e obrigada por comentar!

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