08/05/2015

Resenha | Ordem

Ordem
  • Autor: Hugh Howey
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 512
E se a sobrevivência dos seres humanos dependesse do deslocamento de milhares de cidadãos para uma enorme cidade subterrânea, com gigantescas telas de TV transmitindo imagens desoladoras do mundo do lado de fora e ninguém fosse autorizado a sair? A narrativa de Ordem, que alterna passado e presente, começa em um período anterior ao descrito em Silo, explicando como o mundo de Juliette foi transformado. São apresentados ao leitor um portador do século XXIII; um senador da Geórgia num futuro próximo; um garoto abandonado, cuja história termina quando a de Juliette começa, e Troy, que acorda em 2110 sem saber quem é. Em Ordem, os personagens escapam da morte ao serem congelados em cápsulas criogênicas, sendo acordados de tempos em tempos para tomar remédios, realizarem alguns trabalhos alienantes e depois dormir outra vez. O livro volta no tempo, ao ano de 2049, revelando as decisões tomadas por alguns poucos poderosos, responsáveis por bilhões de mortes que deixarão a humanidade em vias de extinção. Hugh Howey apresenta aos leitores um mundo pós-apocalíptico, com os poucos seres humanos restantes sobrevivendo à atmosfera tóxica do planeta Terra em um silo subterrâneo.


Se você ainda não leu o volume anterior da série, essa resenha pode conter spoilers para você  

Oi gente! Silo - escrito pelo Hugh Howey - foi uma das minhas melhores leituras de 2014 - a melhor distopia que li no ano passado. Conseguiu me surpreender a cada página que passava e eu não esperava o quão maravilhoso iria ser o enredo. Mal podia esperar para ler Ordem - publicado pela Editora Intrínseca no mês passado - e saber se as surpresas iriam continuar ou parar. Sabe quando o segundo livro consegue ser ainda melhor que o primeiro? Exata sensação.


A origem dos silos. O porquê de a humanidade ter se diminuído e se recolhido a construções subterrâneas e muitos outros segredos envolvendo política são a abertura de Ordem. Voltamos para o ano de 2019 onde o planejamento de tudo o que lemos no livro um foi feito. Além do início, em paralelo temos uma história que se passa em 2110 com personagens que acordam de cápsulas criogênicas de tempos em tempos para fazer seu trabalho no Silo 1. E é nesse momento que conhecemos Troy, o protagonista do segundo volume.

Eu sinceramente não tenho o que dizer a vocês. A não ser que o Hugh Howey conseguiu me surpreender e pregar peças incrivelmente inteligentes em minha cabeça. Ordem possui 512 páginas e eu demorei a ler todo ele. Não por conta da dificuldade, mas sim pelos detalhes e o enriquecimento narrativo que o autor expressa no enredo. É uma história que te faz pensar, que te faz ligar a todos os acontecimentos já ocorridos anteriormente. Isso não ocorre logo de início, claro, porém o emaranhado imposto por ele no primeiro e no segundo volume de sua trilogia logo vão se entrelaçando em nós e dando justificativas a - quase - tudo o que acontece.

Imediatamente eu me desliguei completamente do que aconteceu em Silo. Parecia que eu estava iniciando uma nova história, com novos rumos, novos personagens. E é isso que o início de Ordem nos dá. Não se assuste com isso. Juliette e todos aqueles que estão em Silo desaparecem momentaneamente para dar lugar aos porquês e justificativas que provavelmente ficaram rondando seus pensamentos, assim como os meus no primeiro livro. E - de uma forma boa - eles não fazem tanta falta. Não por não gostar deles, mas sim pela nova trama também cativante.

O livro é dividido em três partes, sendo que em cada uma delas temos uma passagem de tempo diferente. E a cada três capítulos mais ou menos, dentro dessas partes, o tempo também muda. Ou seja, o livro não segue e ao mesmo tempo segue uma ordem cronológica que ao final faz completo sentido. Eu fico imaginando o trabalho e a dedicação que um autor tem para fazer isso. É incrível todas as ligações e as junções que acontecem. E eu não notei um furo sequer.

Acima da distopia, Ordem conseguiu - assim como Silo - mostrar primordialmente as relações interpessoais. A política. O que o ser humano é capaz de fazer em situações que ele teme ocorrer. Como más e boas decisões passam a não ter mais sentido ou até mesmo se confundirem. É fantástico a inserção da distopia e de alguns elementos da ficção científica - que eu adorei diga-se de passagem - quando o palco principal do livro são as pessoas e o poder que elas podem ter de escolha.

Ordem foi tudo e muito mais do que eu imaginava. Me deixou o mesmo sentimento de "Ahh... já acabou? Quero logo o próximo volume!". Com dois trabalhos que me conquistaram, as expectativas estão altíssimas para a leitura de Legado, próximo volume. Que ele logo seja publicado.


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2 comentários:

  1. Tenho muita vontade de ler este livro, pois me lembra muito STARTES, publicado pela NC, do qual sou apaixonada. Contudo apesar do que você disse não consegui me identificar totalmente com o enredo. Acho que brequei na parte que voc~e diz que ele é muito detalhista. Sério gosto de livros assim não. Mas vou da uma chance e vê se essa capa maravilhosa, também tem um enredo eletrizante.

    Inquietudes Secretas

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  2. Oi!
    Ganhei Silo e Ordem e estou esperando chegar, sua resenha me deixou mais ansiosa ainda kkk
    A escrita do autor parece ser mesmo incrível, só espero não ficar confusa com a narração em épocas diferentes... faz um tempinho que não leio distopias, então acho que vai ser bom recomeçar com uma muito boa!
    Bjs

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