05/09/2014

Resenha | O Doador de Memórias

O Doador de Memórias
  • Autor: Lois Lowry
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 190
  • Compre aqui: Saraiva | Submarino

Ganhadora de vários prêmios, Lois Lowry contrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora - o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes. Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz idéia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.


Olás! A resenha de hoje é de um livro que já foi lançado tem um tempinho - em 1993 - e agora foi relançado pela Editora Arqueiro, uma vez que o filme baseado nele está prestes a estrear. O Doador de Memórias escrito por Lois Lowry, ganhou grande repercussão nos últimos meses, graças aos trailers bonitos e que chamaram atenção do leitor que ainda não conhecia a obra. Antes do relançamento, o livro tinha o título O Doador. Não conheci o livro pelo filme, mas sim como uma indicação de uma amiga no Clube do Livro. Quando soube que era distopia, era CLARO que eu precisava ler. Não me enjoo.

A sociedade que Lois Lowry criou é completamente sem conflitos, sem sentimentos ou qualquer laço. Além de tudo isso, nenhum de seus habitantes comuns possui lembranças do mundo no passado, a não ser o indivíduo denominado de O Doador, responsável por ser o guardião de tudo que o mundo já foi um dia. Somente ele tem esse conhecimento, mas com sua idade avançada é necessário o treino de seu sucessor, um garoto de 12 anos - Jonas - é escolhido em uma cerimônia em que todos as crianças dessa idade recebe sua profissão. O treinamento é rigoroso e doloroso, mesmo assim Jonas descobre o quão fascinante pode ser essa descoberta e o quanto a realidade é muito diferente do que vive.

O Doador de Memórias é um livro relativamente pequeno e de fácil leitura. Rapidamente ela é feita. Além disso, a escrita do autor é muito bem feita e, apesar de ser um livro de apresentação em que toda essa sociedade utópica é mostrada, não fiquei em nenhum momento confusa ou perdida na explicação. O autor faz isso de forma simples. A narrativa é feita em terceira pessoa, com toda a atenção voltada para os pensamentos e sentimentos de Jonas, apesar disso. Em nenhum momento, ele transita para outro personagem, o que eu achei uma pena. A história poderia ter sido mais enriquecida. 

Confesso que notei alguns elementos bem claros de outros livros que li. Entretanto, considerando que o livro é bem mais antigo que a maioria das distopias lançadas ultimamente, creio que ele foi base para alguns livros que li. Não é porque é uma distopia que as histórias precisam ser uma receita de bolo. Cabe a cada autor inovar e trazer ao tema coisas ainda não feitas. Creio que na época de lançamento de O Doador o livro causou isso.

É palpável a interação - ou melhor a falta dela - de Jonas, sua família e seus amigos. É exatamente o que a sociedade proporciona. Tudo é muito robotizado, sem emoção. Mesmo crianças já tem responsabilidades inimagináveis, com poucos momentos para serem crianças de verdade. O início até a metade do livro é basicamente isso. A partir do momento que Jonas conhece O Doador, tudo muda e a história fica melhor. A percepção do personagem de que nada daquilo que ele conhece é verdade, e por tudo o que O Doador passou naqueles anos todos, faz com que a riqueza que eu esperava aparecesse.

Como toda boa distopia, o final é um daqueles momentos em que você mal pode esperar para ler a continuação, em que tudo aquilo que o personagem passou começa a fazer sentido para ele e para o leitor. Muita gente que leu o livro a alguns anos ainda não teve oportunidade de saber disso, uma vez que o segundo volume não foi lançado. Já li que a Arqueiro pretende lançar sim as continuações aqui no Brasil. Estou torcendo para que isso ocorra o mais rápido possível.

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4 comentários:

  1. Estou super curiosa em ler este livro, deve ser super interessante...http://diariosdeumadesconhecidacomilona.blogspot.pt/

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  2. Oi Aline!
    Fiquei muito curiosa quando assisti o trailer, mas só descobri o livro um pouquinho depois, nem sabia que já era mais antigo... Parece ser uma história muito boa, mesmo com esses "clichês" que você comentou... Gosto de distopias, então estou bem ansiosa pela leitura :)
    Beijos!

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  3. Estou com vontade de ler essa obra desde que eu soube que seria lançada. Achei a história super interessante, e assim como você sou fã de distopias. Espero que essa me cative assim como cativou você.

    Só quero mesmo vê o que ele vai fazer depois de descobrir tudo que acontece se eles tivessem memórias.... Você não contou nenhum spoillerszinho. kkkk
    Enfim , amei. beijos

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  4. Tenho muita vontade de ler, mas acabo que nunca compro ele. Não digo de certeza, mas acho que vai ser o próximo livro que comprarei porque agora estou ainda mais com vontade de lê-lo, parece incrível.
    Não pretendo assistir o filme enquanto não ler o livro

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